Tag Archives: história

Tábor e sua história

6 fev

Tábor é uma cidadezinha no sul da República Tcheca com uma história curiosa. No começo do século XV, Jan Hus foi queimado vivo pela Igreja e seus seguidores se organizaram, se rebelaram, lutaram contra a Igreja e todo esse período cheio de turbulência social e política é chamado de “Guerras Hussitas” (eu já falei um pouco mais sobre isso antes, bem como sobre a palavra tábor, quando falei da origem do nome de Praga).

Pois bem. Um grupo dos mais radicais dos Hussitas se estabeleceu na colina onde hoje é Tábor e a cidade foi fundada propriamente em 1420. Foi uma ‘base rebelde’ por mais de 30 anos antes de ser tomada pelo exército real. Teve, portanto, sua merecida importância.
Continue lendo

Kutná Hora

1 fev

O Thiago veio nos visitar em novembro. Iêi!

O Thiago é amigo de longas datas, desde os tempos do segundo grau. É uma das poucas pessoas que quando disse que vinha nos visitar levei a sério. Tudo bem que sua passagem por aqui foi bem rápida, mas deu para matar a saudade. Numa semana ele disse que vinha, na outra já estava aqui. Gosto de gente assim.

Numa das conversas que tivemos antes dele embarcar pra cá, ele mencionou que havia visto alguma reportagem em algum canal de tevê sobre a Capela dos Ossos em Kutná Hora. Fiquei animada, porque ainda não tinha ido lá, e quando ele chegou fiz questão de que fossemos. Então, numa manhã de um dia da semana que já não me lembro mais qual era, nos encontramos na estação central (Hlavní Nádraží) para pegar um trem para Kutná Hora.

Eu e Thiago em Kutná Hora. Foto do Thiago.

Continue lendo

Por que você deveria saber mais sobre Karel Čapek

27 jan

Em 1921, estreou a peça R.U.R, escrita pelo tcheco Karel Čapek. É reconhecida como o surgimento da palavra robô (robot) – esse é o primeiro fato difundido sobre o assunto. A peça é uma ficção científica onde uma companhia (Rossum’s Universal Robots) cria os tais robôs para fazer o trabalho dos humanos. A maior parte se passa dentro do escritório da companhia, onde os personagens humanos discutem e descrevem o que acontece no mundo lá fora. Não vou falar muito sobre a trama, para quem quiser lê-la, mas é justo dizer que as coisas, claro, não saem tão bem quanto esperado.

R.U.R. encenada pela Theatre Guild, New York, 1922

 

Tirando isso, não costuma-se falar muito sobre o Čapek. Mas você deveria saber mais sobre ele e para isso cá estamos nós.

Continue lendo

Por que diabos “Praga”!?

20 jan

De vez em quando aparece nas nossas estatísticas do blog alguém que chegou até aqui procurando pela origem do nome de Praga. Eu também tinha curiosidade a esse respeito. Aliás, ainda tenho. Aqui vai o que eu descobri até agora – se algum dia eu achar algo mais concreto, coloco também.

Para começar pelo fim, “Praga”. A palavra em português dá margem pra muitas gracinhas, mas não está relacionada a pragas, no sentido de pestes ou gente chata. É só uma adaptação do nome vindo de outra língua.

Eu achava que seria uma aproximação fonética de Prague, tanto em francês quanto inglês (que é de onde tiramos muitas das nossas palavras estrangeiras). E de onde vem “Prague”? Do alemão Prag. E esse, de onde vem? Do tcheco, oras.

Mas na verdade a palavra em português pode ter vindo diretamente do tcheco (talvez passando por espanhol, já que é igual nas duas línguas). Afinal, esses povos estão lidando uns com os outros há muito tempo. Por exemplo, no século XVI, enquanto o Felipe II governava o reino de Portugal (entre outros), seu tio Ferdinando governava o reino da Boêmia (entre outros). Então apesar de eu gostar do caminho tcheco – alemão – francês/inglês – português, é mais provável que Praga tenha chegado até nós direto do original.

Continue lendo

Revolução

17 nov

Eu não sou muito bom com História. Fazer o quê. Sempre confundo a ordem dos eventos, os nomes, as datas… e tirando isso, o que mais tem?

Tá, tem mais. Contextualmente. Conceitualmente. Etc.

Mas enfim: o fato é que desde o ano passado, quando meu interesse pela história da República Tcheca brotou praticamente do nada, eu sempre confundo a Primavera de Praga e a Revolução de Veludo. O que mais ajudou a separar uma da outra e fixá-las na cabeça foi que, no ano passado, eu participei da Revolução de Veludo! Tudo bem, foi só uma comemoração, não uma revolução… mas isso fica para daqui a pouco.

(Aproveito a deixa para dizer que resolvemos mudar um pouco o visual aqui do blógue: agora, os posts aparecerão só parcialmente na página principal. Para ler tudo, clique no “Continue reading” que estará logo antes das etiquetas.) Continue lendo

28 de Outubro: fundação da Tchecoslováquia

28 out

Hoje, dia 28 de Outubro, é feriado aqui. É o dia em que, em 1918, foi fundada a Tchecoslováquia.

No fim da Primeira Guerra Mundial, o Império Austro-Húngaro se desfez e os tchecos conseguiram o país deles, uma república, e com isso todo aquele otimismo de início de século, de pós-guerra, e de ter uma nova nação própria; um país de tchecos e eslovacos (e umas outras minorias que viviam por aqui), democrático e não subordinado a um poder de fora.

Praga ainda era, na época, uma das grandes capitais mundiais, uma pérola da civilização ocidental e por aí vai. O primeiro presidente da tchecoslováquia, Tomáš Masaryk, era um humanista, respeitado e adorado (até hoje).

Estátua de Tomáš Masaryk, em frente ao Castelo de Praga. Fonte: wikipedia.

Continue lendo

Divoká Šárka

21 ago

[pronúncia: Divokaa Shaarka]

Vista de Divoká Šárka. Quando chegamos, havia um rebanho de carneiros pastando no alto do rochedo.

Quando cheguei em Praga e pulei no ônibus para ir para casa, uma das primeiras paisagens que vi logo após o aeroporto foi a da reserva natural Divoká Šárka. No inverno a vista estava maravilhosa, com a neve cobrindo os rochedos. Naquele momento me prometi que um dia iria passear por lá. O nome Divoká Šárka traduz como “Šárka selvagem”. Reza a lenda que muito tempo atrás, onde hoje está Praga, um lado do rio Vltava era controlado por uma tribo de amazonas e o outro lado, o de Vyšehrád, por uma tribo só de homens. A tribo das amazons andava sob a ameaça iminente de um ataque da tribo dos homens e, como eram poucas, decidiram por capturar o melhor guerreiro dos homens, Ctirád [tstiraad], e assim desmotivar a tribo masculina. A líder das amazonas então mandou Šárka, que considerada muito bonita, servir de isca para capturar Ctirád. A partir deste ponto surgem duas versões para a lenda: a primeira conta que Šárka conseguiu seduzir Ctirád e, enquanto ele dormia, as amazonas o capturaram e o mataram. A segunda versão conta que Šárka o matou. Após o feito Šárka joga-se dos penhascos e aí surge outra controvérsia: o motivo para a queda. Uma versão diz que ela se jogou como forma de penitência por sentir-se culpada pelo assassinato, enquanto que a outra versão diz que ela havia se apaixonado por Ctirád e se jogou porque estava sofrendo muito com sua perda. O nome deste penhasco é Divci Skok (o salto da garota). Continue lendo