Festival de Cinema Tcheco, no Brasil

6 out

Neste mês o CCBB apresenta uma Mostra de Cinema Tcheco. Começou hoje, em Brasília, depois vai para São Paulo e Rio de Janeiro. Aproveitemos a deixa, então, pra fazer a recomendação e falar um pouco do que poderá ser visto – e de cinema tcheco em geral! Já assistimos só alguns dos filmes que estarão no festival, mas parece que vai ser bem representativo, apesar de pequeno.

O cinema tcheco, até onde pudemos ver e ouvir falar, é bem representado por comédias dramáticas – histórias engraçadas mas meio perturbadoras, ou histórias dramáticas com personagens engraçados… o que eles chamam de ‘riso amargo’, ou algo assim.

O destaque do festival, segundo o CCBB, são os filmes de Miloš Forman, Jiří Menzel e Jan Svěrák. Começando por eles, então:

Milos? Não, Miloš.

Miloš Forman é um cineasta que fez sua fama fora da Tchecoslováquia, e aposto que muita gente que já viu Um Estranho no Ninho, Amadeus, Hair ou O Povo Contra Harry Flint não fazia idéia que o diretor era tcheco. Eu, por exemplo.

No festival, o filme apresentado é o Baile dos Bombeiros, de 1967, o último antes de ele sair da Tchecoslováquia deixando o háček pra trás.

Menzel e Honza

O Jiří Menzel é outro diretor renomado, mas talvez não tão famoso fora da República Tcheca. Dizem as internets que a fama dele começou a se internacionalizar em 1967 também, quando o Closely Watched Trains, adaptação de um livro do tcheco Bohumil Hrabal, ganhou o Oscar de filme estrangeiro – e que foi filmado nos estúdios Barrandov, que já mencionei quando falei de filmes internacionais rodados em Praga.

(A propósito, o filme mais recente do Jiří Menzel é a sexta adaptação que ele fez do mesmo autor, desta vez do livro Eu Servi o Rei da Inglaterra. Não vi nenhum dos dois filmes, mas li os dois livros, ambos recomendáveis. Em outra oportunidade eu desenvolvo o assunto.)

No festival, o filme apresentado é A Minha Pequena Aldeia, filme de 1985 que entra em todas as listas de cinema tcheco que eu já vi.  Se ficar com preguiça ou perder, o filme está no YouTube, em pedaços e com legendas em inglês. (Se é legal ou não, não sei.) O trailer abaixo (com legendas em espanhol) dá de bônus a oportunidade de se ter uma noção de um tipo de personagem recorrente em muitos filmes tchecos: o Hloupý Honza, algo como “João Bobo”, um personagem bem intencionado, tadinho, mas que é assim meio sonso.

Jan Svěrák e seu pai

Há dois filmes do diretor Jan Svěrák na mostra: Kolya, de 1996, e Num Céu Azul Escuro, de 2001.

Kolya (em tcheco, Kolja) ganhou vários prêmios (inclusive o Oscar de melhor filme estrangeiro), e bem merecidamente, ouso dizer. A história, sem contar muito, é sobre um homem de meia-idade que se vê tendo que tomar conta de um menininho – o Kolya. A história se passa no fim dos anos 1980 em Praga (ainda comunista), e muito do que se vê no filme está aqui hoje, igualzinho.

O protagonista (o homem, não o menino) é interpretado pelo Zdeněk Svěrák, pai do diretor Jan. Ele é um ator bem famoso, mas principalmente de teatro. Ele fez várias atuações em filmes durante os anos 70 e 80, depois deixou disso, mas abre exceções, principalmente para filmes do filho.

Num Céu Azul Escuro, o segundo filme do Jan Svěrák na mostra (cujo nome tcheco é Tmavomodrý svět, lit. “mundo azul-escuro”) é também um filme histórico, os personagens são pilotos na Segunda Guerra. Não vi o filme, mas achei interessante comentar este outro fato da Segunda Guerra que, pra variar, é pouco conhecido mundo afora mas ainda toca muitas feridas abertas aqui.

86 pilotos tchecos (e 2 eslovacos) integraram a força aérea Britânica (a RAF) na Segunda Guerra. Mais especificamente, na Batalha da Grã-Bretanha, nome dado aos conflitos quase exclusivamente aéreos em 1940 entre nazistas e aliados, em que Londres foi fortemente bombardeada pela blitzkrieg nazista. Um dos tchecos, Josef František, foi o piloto aliado com mais ‘abates’, derrubando 17 aviões nazistas durante a batalha. Ele morreu em um acidente na Inglaterra quando seu avião caiu, em Outubro de 1940.

Modernidades

Outra aparição muito representativa de cinema tcheco, na nossa experiência, é o ator Jiří Macháček. Cara, ele tá em todo lugar! A gente pega um filme pra assistir e às vezes no fim dá uma sensação estranha, parece que faltou alguma coisa… “ah, é! Esse filme não teve aquele cara!” – mas isso não acontece muito.

Eu não quero glorificar nem desmerecer o fulano, provavelmente é só uma coincidência. Mas que ele aparece, aparece. E pra completar, ele tem (ou faz) uma cara que eu olho e penso: Hloupý Honza.

Ele é um dos protagonistas do Solitários, outro filme em que Praga aparece quase como personagem. Este é um filme contemporâneo, com história meio esquisitona e cheia de personagens estranhos mas completamente plausíveis (o que os torna mais estranhos ainda, talvez?)

É bem característico, acho, do esquema tcheco de fazer situações comicamente absurdas parecerem sérias – ou de fazer situações absurdamente sérias parecerem cômicas.

Protektor

O grande filme do ano passado foi Protektor. Não assistimos (ainda, mas temos o dvd; este post será atualizado em breve…) e nem foi preciso. Tá, oficialmente é de 2009, mas durante 2010 deu pra ver quase um minizeitgeist com os pôsteres e as entrevistas e os prêmios, etc. E na verdade, o filme já chama a atenção mesmo pela beleza visual. Veja o trailer em tcheco…

…e diga se não é interessante mesmo sem entender nada.

Zeca, Joca, e a Toupeira

No dia das crianças, em Brasília, a mostra tem uma programação especial, com animações clááássicas daqui. Uma delas é com a dupla Pat a Mat, que no Brasil tem o nome de Zeca e Joca. É uma animação dessas de massinha (nome técnico em falta) da época da Tchecoslováquia, bem da simpática. Os tchecos se amarram. Quase tudo deles é sem falas, e na verdade ninguém aqui soube me dizer nem quem é o Pat e quem é o Mat. São só dois fulanos comuns, que se metem em altas confusões e arranjam jeitos de sair deles. Tipo assim:

E a outra animação cláááássica daqui é a Toupeira (Krtek). É um desenho animado dos anos 50 e que ficou forte na cultura aqui. Crianças têm bonecos de pelúcia da Toupeira, roupa da Toupeira, etc. É outro estilo, e bem mais infantil do que o Pat a Mat. Se quiser uma amostra:

Resumindo:

Mostra de Cinema Tcheco

Centro Cultural Banco do Brasil

Brasília: 06 a 16 de Outubro

São Paulo: 19 a 30 de Outubro

Rio de Janeiro: 02 a 13 de Novembro

A programação completa com sinopses e fichas técnicas pode ser baixada aqui.

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2 Respostas to “Festival de Cinema Tcheco, no Brasil”

  1. Stela 12 de outubro de 2011 às 4:26 pm #

    Obrigada pelas dicas! Acho que vou aproveitar hoje, com o Kalyan. E a pergunta que não quer calar: o que é hácek e Hloupy Honza?

    • jvbernatel 13 de outubro de 2011 às 11:09 am #

      háček é isso: ˇ
      Quanto ao Hloupý Honza, eu achei uma descriçãozinha num blog: é “um tipo de personagem recorrente em muitos filmes tchecos: o Hloupý Honza, algo como ‘João Bobo’, um personagem bem intencionado, tadinho, mas que é assim meio sonso.”

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