Tempo de piscina?

6 jul

Depois das últimas semanas, acho que agora sim esquenta de vez. Quero dizer, talvez. Possivelmente?

No ano passado o inverno foi mais frio, o verão mais quente. O clima desse ano tem se mostrado um pouco diferente. O inverno me pareceu que passou mais rápido e, até agora, a primavera me pareceu mais quente que o verão.  Esse mês de junho passado choveu tanto e ventou tanto, que pensei que o verão tivesse passado batido por Praga. Mas eu me precipitei, afinal, junho é só o comecinho do verão.

A previsão do tempo ainda promete algumas chuvas – e tempestades de verão – nas próximas semanas, *especialmente* nos fins de semana, mas promete também dias mais quentes e ensolarados. Não que eu seja fã de calor, mas é que aprendi a apreciar as estações do ano. Hoje conversava com o Badá e chegamos à conclusão que aproveitamos muito pouco o verão do ano passado. Tudo bem, tava um calor dos infernos, daquele que você sai de casa e já começa a derreter, mas tem que caçar atividades adequadas para tal – fazer uma trilha no meio das árvores, ir pra piscina, ou qualquer outra coisa que não dê pra fazer nas outras estações – o que não fizemos. O calor era como uma barreira na porta de casa e demos muito mole de não enfrentá-lo. Acho que nosso “desprezo” pela estação do sol se deu pelo fato de virmos de um país tropical, onde há sol e calor o ano inteiro. Pode-se dizer que estávamos mal-acostumados com a presença do sol.

Esse ano nós nos prometemos que será diferente.

Hoje, que é feriado e fez um dia bonito depois de várias semanas de céu cinza e chuva, decidimos ir pra piscina. Praga tem várias piscinas, abertas para quem quiser ir. Não é como no Brasil, que você tem que ser sócio para aproveitar. Basta chegar lá, pagar a entrada e tomar uma ducha antes de cair na água. Todo mundo pode aproveitar. As piscinas, em geral, possuem vestiário feminino e masculino, com armários para você guardar suas tralhas, wc e duchas. Se você não quiser deixar suas coisas longe, não tem problema, pode levar junto e deixar na sua toalha estendida enquanto toma um banho de piscina. Em geral, ninguém mexe, é super tranquilo deixar as coisas sem ninguém tomando conta. Mas eu sempre fico com um pé atrás. Sabe como é, no Brasil isso não funciona e essa coisa de ficar me preocupando com as coisas largadas é um hábito difícil de se desfazer. Como também é difícil de parar de me sentir tensa andando na rua sozinha. Não que aqui não haja crime, mas não são tão escrotos como os que ocorrem no Brasil. E tristemente acho que eu nunca conseguirei me desfazer desses “hábitos”, de sempre ter que ficar olhando pra trás.

Mas eu divago… Voltando pra piscina.

Uma coisa que me surpreendeu por aqui foi o topless. As tchecas fazem isso numa boa – aliás, não só as tchecas, porque pelo que vi, isso é super comum na Alemanha, na Holanda e na maioria dos países europeus. Mulheres de todos os tipos e idades, de todos os corpos. E ninguém liga, nem fica olhando. Quero dizer, não olham de maneira desrespeitosa, isso é coisa comum e ninguém tá nem aí – como eu acho que deveria ser. No Brasil tem essa coisa de que a mulher pode ficar nua pra vender cerveja, carro, pra desfilar no carnaval, pra apresentar programa de televisão. A nudez da mulher é justificável apenas quando o homem a coloca assim. Mas quando ela quer fazer um topless por vontade própria para curtir o sol, é atentado ao pudor, uma sem-vergonha exibicionista, um desrespeito às famílias que estão no mesmo parque/piscina/praia. Uma hipocrisia danada. Faz parecer até que ninguém tem corpo, que ninguém sabe quais partes o outro sexo tem e, fazendo o paralelo à razão da burqa, que todo homem é descontrolado. E as crianças assistem cada coisa escabrosa na tv – não apenas visualmente, como cenas de violência, mas moralmente escabrosas, como comediantes fazendo piadas com temas que são sérios demais para serem tratados dessa maneira, novelas afirmando um padrão de beleza que não condiz com a maioria da população, entre outras coisas – , que não faz nem sentido dizer que um par de peitos tomando um sol ou dando de mamar é um desrespeito. Aliás, isso deveria é ensinar respeito, ensinar que o corpo é da mulher e ninguém além dela tem direito de controlar.

Eu acho que acabei escrevendo tudo isso porque me pareceu bizarro eu ficar maravilhada com o fato de as mulheres poderem fazer topless e ninguém ligar. Vindo do Brasil, onde as imagens de mulheres seminuas são tão onipresentes… eu não deveria ficar impressionada com a mulher poder fazer o que quiser sem ninguém cair matando.

Havia pensado originalmente em fazer um post sobre as piscinas de Praga, mas esse aqui foi indo, indo e passou do tópico. As piscinas então ficam pra próxima. Amanhã talvez.

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3 Respostas to “Tempo de piscina?”

  1. Sandra Abrahim 15 de julho de 2011 às 4:35 pm #

    Parabens !! O que voce escreveu sobre mulheres no Brasil é perfeito… Viva a lucidez!
    abraços

  2. Margot Friedmann 2 de maio de 2012 às 1:48 am #

    Adorei seu comentario e ja assinei seu blog, pois vou a Praga em julho e anotei ja varias dicas. Caso vc veja meu comentario estou em dúvida de qual hotel escolher. Se um daqueles hoteis barco ou os antigos no centro historico

    • sarahkcp 7 de maio de 2012 às 9:30 am #

      Oi Margot,

      Obrigada!
      Quanto ao hotel, eu realmente não sei te responder. Nunca fiquei em nenhum tipo de hotel por aqui. Acho que vai mais do ceu interesse mesmo.

Comentários encerrados.

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