Brno

10 maio

Não, não errei ao digitar. Brno é escrito assim mesmo.

Brno é a segunda maior cidade da República Tcheca e capital da região da Morávia. Fica a cerca de duas horas e meia de Praga, no meio do caminho entre Praga e Vienna. Aliás, muita gente que faz o trajeto Praga-Vienna de ônibus provavelmente faz uma paragem lá. Aproveitamos que nossos amigos estariam numa cidade por perto e marcamos de nos encontrar em Brno para explorarmos juntos essa parte da República Tcheca que ainda não conhecíamos (e continuamos sem conhecer muito bem). Passamos apenas um domingo lá, e deu para ver a maior parte das atrações. Talvez passar o dia lá seja mais fácil num sábado, quando tem mais lojas e restaurantes abertos.

Apesar de ser a segunda maior cidade da República Tcheca, Brno não é muito grande. Conta com cerca de 300 000 habitantes. É uma cidade muito engraçadinha, o centro histórico é relativamente pequeno, então deu para andarmos sem problemas grandes. Aliás, o único problema foi o vento que decidiu bater frio, muito frio.

Fizemos um programa turistão mesmo. Com o Lonely Planet em mãos, batemos perna à bessa. Queríamos começar com a Catedral de São Pedro e Paulo que, de longe, é a construção que mais chama atenção quando se entra em Brno. Quando chegamos lá, demos de cara com uma missa. Então, fazer o que, deixamos para ver a catedral mais tarde para depois voltar. Mas o dia não facilitou. Encontramos muitas coisas fechadas.

Fomos no centro turístico buscar um mapa da cidade, maior que o que já vem no Lonely Planet. Aproveitamos para conferir o tal do “Dragão de Brno”, que fica pendurado bem na entrada. O dragão nada mais é que um jacaré amazônico que foi empalhado e pendurado na sede da antiga prefeitura para que o povo medieval visse esse bicho esquisitão. Reza a lenda que o dragão foi achado e morto num rio próximo, mas depois o povo descobriu que isso era história de pescador.

Badá sendo devorado pelo dragão.

Curiosidade saciada, resolvemos sentar na praça principal, a Náměstí Svobody (Praça da Liberdade) e simplesmente curtir a vista, os bondes e as pessoas passando. Mas o vento estava frio, muito frio. Gelado. E o sol não era suficiente para nos esquentar (afinal, era ainda Março).

Resolvemos que não tinha muito futuro ficar encolhido numa praçona, então nos enfiamos no meio de ruas de todos os tipos e fomos caminhando. Fomos atrás da igreja de Sv. Jakub (São Tiago) que tem uma figura um tanto curiosa esculpida na fachada. De acordo com o Lonely Planet, quando esta igreja estava em construção, estavam a construir, também, a Catedral de São Pedro e Paulo. A construção simultânea entre as duas igrejas levou a rivalidades entre os pedreiros. Então, para fazer fusquinha aos pedreiros da catedral pelo fato de terem terminado a igreja de S Tiago antes, colocaram uma imagem peculiar na fachada lateral da entrada: um homenzinho com as calças para baixo, com a bunda de fora. Ele está na fachada lateral, porque ela está virada na direção da catedral.

Depois disso, fomos atrás da abadia de S. Tomás, que foi onde Gregor Mendel, o abade, iniciou seus estudos em genética. Hoje o monastério foi transformado no museu do Mendel. Inclusive, é possível passear pelos jardins onde ele realizava seus experimentos. Para nossa (má) sorte, estava fechado na hora em que fomos.

Ficamos um pouco desespirituosos, até a hora em que os nossos amigos nos ligaram dizendo que haviam chegado. Voltamos à catedral, que foi escolhida como ponto de encontro e agora sim, conseguimos entrar só para ficarmos desapontados. O interior é limpinho, novinho, sem graça. Por fora é muito mais bonita. Mas foi possível subir nas torres e ter uma visão fantástica da cidade e dos arredores.

Da catedral, fomos a castelo de Špielberk. O castelo é cheio de salas de exposições. Fomos um pouco antes da hora do almoço, e resolvemos não arriscar ver as exposições. O que queríamos ver mesmo era o castelo, os muros, as torres. Devo dizer que também não foi uma visita muito emocionante. Por ser tão bem cuidado e usado, não sobra muito para ver (além das exposições). Mas a vista de lá de cima da torre é muito, muito bonita. Satisfeitos, fomos caçar um restaurante aberto. Depois de reabastecidos, tocamos o bonde para Telč.

Na torre do castelo de Špielberk

TELČ

Telč é uma cidadezinha tombada pela Unesco. É um burgo rodead0 por três laguinhos. Fica a cerca de 160km ao sudeste de Praga. Teoricamente é possível chegar de trem e ônibus, mas não há nenhum que vá direto, então as viagens por esses meios de transporte duram entre 2h40 e 3h40. Para viagens de um dia a partir de Praga já complica um pouco.

Mas o que dizer sobre Telč? É engraçadinha. A praça central com os prédios em volta me lembram as praças espanholas. Talvez seja por conta das arcadas e das cores dos prédios. Chegamos lá no fim de uma tarde de Março, então não tinha ninguém por lá. O castelo estava fechado (abria só a partir de Abril). Demos umas voltar pelas ruas adjacentes ao centro, entramos num café para tomar chás e voltamos para Praga. Talvez voltemos lá num dia mais quente, porque aí deve ser mais interessante.

A praça central de Telč

Apesar dos lugares não terem sido muito surpreendentes, o passeio em geral foi muito legal. Uma das coisas que mais gosto é bater perna onde não conheço, ver como as ruas se emendam, comos os prédios adornam a cidade. A companhia também foi das melhores. A cidade de Brno mesmo foi surpreendentemente agradável, ainda mais porque todos os tchecos dizem que lá não há nada para ver. Tem sim, mas tem que ir no dia certo.

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4 Respostas to “Brno”

  1. Juca 10 de maio de 2011 às 12:31 pm #

    Que pena, se tivessem comentado antes que estariam por aqui, poderiamos dar uma de guias turisticos para vcs 🙂 A historia do “Dragao de Brno” tem varias versoes. A mais comum eh que tinha um dragao amedrontando a “vila”, e foi oferecida uma recompensa para sua captura. Um jovem das redondezas ouviu sobre a generosa recompensa, e, depois de umas cervejas, falou “deixa comigo”. Fez uma armadilha para o dragao, dando algo para ele comer que acabou por fermentar dentro do dragao e o explodiu.

    Sobre o Špilberk: o melhor do castelo nao é o castelo em si. É a exposicao permanente na “masmorra” (Kasematy). Mostra um pouco do que foi a prisao subterranea do castelo. Algumas fotos: https://picasaweb.google.com/partenon/BrnoSpilberkKasematy

    E uma atracao nova em Brno é o labirinto no subsolo. Antigamente, em varias cidades no Sul da Moravia (e provavelmente em outros lugares), os poroes das casas eram interligados, formando uma especie de cidade em baixo da cidade. Recentemente descobriram este labirinto em Brno, e abriram para o publico. Algumas fotos (qualidade de “celular”): https://picasaweb.google.com/partenon/BrnoPodzemi

    Mas acho que vcs perderam mesmo foi uma oportunidade de almocar em um restaurante medieval 🙂 Se vierem de novo para Brno, *devem* almocar neste lugar: http://www.stredovekakrcma.com/

    • sarahkcp 20 de junho de 2011 às 10:19 pm #

      Oi Juca!
      Pois é, a viagem a Brno foi meio corrida, decidida de última hora. Decidimos mesmo o que queríamos ver no ônibus a caminho. Perdemos muita coisa legal, mas não tem problema porque pretendemos voltar e aproveitar as suas dicas. Aliás, obrigada por elas!

  2. Mariana 24 de maio de 2011 às 6:05 pm #

    Olá! Acabei de descobrir este blog e gostei bastante! Dicas valiosas! Irei a Praga no próximo mês… Já da pra ter uma idéia de como vai ser bom ver tudo isso de pertinho!

    Um abraço!
    Mariana

    • sarahkcp 20 de junho de 2011 às 10:20 pm #

      Oi Mariana!

      Obrigada! Espero que a sua viagem tenha sido legal!

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