Tábor e sua história

6 fev

Tábor é uma cidadezinha no sul da República Tcheca com uma história curiosa. No começo do século XV, Jan Hus foi queimado vivo pela Igreja e seus seguidores se organizaram, se rebelaram, lutaram contra a Igreja e todo esse período cheio de turbulência social e política é chamado de “Guerras Hussitas” (eu já falei um pouco mais sobre isso antes, bem como sobre a palavra tábor, quando falei da origem do nome de Praga).

Pois bem. Um grupo dos mais radicais dos Hussitas se estabeleceu na colina onde hoje é Tábor e a cidade foi fundada propriamente em 1420. Foi uma ‘base rebelde’ por mais de 30 anos antes de ser tomada pelo exército real. Teve, portanto, sua merecida importância.

O centro histórico de Tábor é bem o que se espera de um centro histórico: uma praça, uma estátua, uma catedral. E edifícios curiosos ao redor (como o do relógio estranho), e que serão mais interessantes se você souber previamente por que são interessantes. Felizmente, se você chegar até o centro histórico vai topar mais cedo ou mais tarde com um centro de informações turísticas.

Parte da vista do alto da torre da igreja.

Nós visitamos Tábor uma vez. É uma viagem fácil a partir de Praga, com ônibus e trens diariamente. A cidade em si não é excepcionalmente bonita (e para ser sincero, fomos em um dia cinzento e pesado), o centro histórico é a principal atração mesmo. Isso e os túneis.

Os túneis de Tábor

Nos primórdios da cidade, quando foi ela crescendo e os moradores se estabelecendo e, enfim, a construindo, era  comum construirem porões e adegas sob as casas. Serviam para armazenamento, claro, mas também como refúgio, em caso de ataques. O solo do local tem alguma propriedade geológica que eu não saberia explicar mas cujo resultado é que pode não ter sido muito fácil escavar estes porões, mas eles sobreviveram até hoje.

Foto: Zdeněk Prchlík

Há algumas décadas que o governo local está mapeando e restaurando as construções subterrâneas. Algumas já se comunicavam entre si, mas boa parte eles aproveitaram para unir e formar uma rede de túneis, permitindo passagem de um porão a outro e para o seguinte… estima-se que se unissem todos os porões adjacentes, teriam 12 km de túneis. Uau.

Nós descemos aos túneis que ficam logo abaixo da praça da cidade. Recomendo. Infelizmente, não é permitido tirar fotos lá dentro. Os túneis são um tanto claustrofóbicos, na maior parte escavados na pedra (em outros lugares de tijolos) com teto bem baixo e algumas passagens estreitas.

A entrada dos túneis é pelo Museu Hussita, na praça. (Foto: Brendio)

Porém o que foi mais perturbador, para mim, foi a desorientação. Porque não é um túnel propriamente dito, que leva de um lugar a outro; para todo lado há ramificações, bifurcações e corredores que acabam de repente em uma parede fria em lugar nenhum – e quando você tenta dar meia-volta, descobre que ele também começa, aparentemente, em lugar nenhum. Eu tenho certeza que se tivesse entrado lá sozinho, estaria hoje blogando isso com riscos na pedra, esperando deixar algum registro para a posteridade dos meus últimos rancorosos momentos e de como o meu amigo imaginário Honza é na verdade um traidor miserável.

Tudo bem, não é tão perigoso assim. Vários dos porões em Tábor ainda são usados como armazéns e adegas. A parte visitável dos túneis ocasionalmente encontra uma escada e uma porta fechada, com um sinal de onde aquilo vai dar e de quem é propriedade.

Os arredores

Demos uma passeada também ao redor do centro, em uma parte da colina que é mais íngreme e com o rio no fundo. Servia como proteção natural no passado, reforçada por muralhas cercando a parte superior. Um canto tranqüilo, também com seus atrativos.

Essa construção que se vê é parte da fortificação da cidade.

Concluindo: a nossa opinião, assumidamente subjetiva e resultado da nossa experiência limitada, é que Tábor vale um passeio, se não atrapalhar muito seus planos, mas não é imperdível. Lembrando agora da nossa visita, acho que eu até voltaria para ver o presente da cidade; as esculturas modernas, as ruas em volta do centro, o lago, etc – e alugaria uma bicicleta, coisa que tentamos fazer (a agência é bem perto da rodoviária) mas por algum motivo não deu certo. Enfim: as coisas a que não demos atenção porque estávamos direcionados à parte histórica, que sim, é interessante mas não é assim espetacular. E iria em um dia com tempo bom.

O guarda-chuvas foi necessário...

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3 Respostas to “Tábor e sua história”

  1. paty 7 de fevereiro de 2011 às 11:51 pm #

    definitivamente se blog será meu guia turistico quando eu for pra essas bandas ;D
    espero em pouco tempo ter condições pra isso, quem sabe uns 5 anos. =)

  2. Stela 11 de fevereiro de 2011 às 4:44 pm #

    Hum, não sei não se me arriscaria nos túneis de Tábor. Já não tenho muito senso de orientação acima do solo, com as ruas nomeadas, os sinais de trânsito, as placas, os guardas pra dar informação. Imagine sob a terra. Periga virar “a fantasma dos túneis da Hora”, que vaga pelos labirintos, falando uma língua estranha, provavelmente pré-hussita: “por favor, onde é que fica a porra da saída?”

  3. Stela 11 de fevereiro de 2011 às 4:46 pm #

    Da Hora não. De Tábor! Viu só?!? Confundi com a postagem anterior da Sarah, sobre Kutná Hora. É, por medida de precaução, acho melhor passar longe de Tábor. Ou ir de coleira e guia, como lulu de madame.

Comentários encerrados.

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