Divoká Šárka

21 ago

[pronúncia: Divokaa Shaarka]

Vista de Divoká Šárka. Quando chegamos, havia um rebanho de carneiros pastando no alto do rochedo.

Quando cheguei em Praga e pulei no ônibus para ir para casa, uma das primeiras paisagens que vi logo após o aeroporto foi a da reserva natural Divoká Šárka. No inverno a vista estava maravilhosa, com a neve cobrindo os rochedos. Naquele momento me prometi que um dia iria passear por lá. O nome Divoká Šárka traduz como “Šárka selvagem”. Reza a lenda que muito tempo atrás, onde hoje está Praga, um lado do rio Vltava era controlado por uma tribo de amazonas e o outro lado, o de Vyšehrád, por uma tribo só de homens. A tribo das amazons andava sob a ameaça iminente de um ataque da tribo dos homens e, como eram poucas, decidiram por capturar o melhor guerreiro dos homens, Ctirád [tstiraad], e assim desmotivar a tribo masculina. A líder das amazonas então mandou Šárka, que considerada muito bonita, servir de isca para capturar Ctirád. A partir deste ponto surgem duas versões para a lenda: a primeira conta que Šárka conseguiu seduzir Ctirád e, enquanto ele dormia, as amazonas o capturaram e o mataram. A segunda versão conta que Šárka o matou. Após o feito Šárka joga-se dos penhascos e aí surge outra controvérsia: o motivo para a queda. Uma versão diz que ela se jogou como forma de penitência por sentir-se culpada pelo assassinato, enquanto que a outra versão diz que ela havia se apaixonado por Ctirád e se jogou porque estava sofrendo muito com sua perda. O nome deste penhasco é Divci Skok (o salto da garota).

Tempo passa, tempo vai, o inverno passou, a primavera que também passou e agora, no final do verão, decidimos ir ver por nós mesmos o que é que tem lá. Na verdade, já tinhamos uma idéia em mente: como este final de semana é possivelmente o último final de semana no qual as temperaturas estarão perto dos 30º, queríamos tomar o primeiro e, talvez, o último banho de piscina do ano. E descobrimos que na reserva tem uma piscina abastecida da água de uma nascente. A visita teria de ser feita num dia bastante quente porque a água estaria bastante gelada, num dia como hoje prometia ser.

A reserva é super fácil de chegar. Da nossa casa levou mais ou menos meia hora. Pegamos o metrô até o final da linha verde e depois um bonde até o lugar. A entrada da reserva é bem engraçada porque fica atrás de um McDonald’s enorme, o último bastião da cultura urbana antes de se adentrar na natureza domada. Dentro da reserva foram feitas ciclovias em volta da área principal e há inúmeras trilhas a serem percorridas para quem quiser se aventurar por lá e esta foi a nossa escolha. Queríamos subir naquele primeiro rochedo que vimos lá do ônibus no caminho de casa. Como não temos equipamento de escalada, fomos andando mesmo.

esse rochedo.

Quando entramos propriamente na reserva, vimos um lago imenso e fomos direto para lá. Quando chegamos, descobrimos que se trata do reservatório de Džban [dzgban], onde o povo também costuma nadar quando a piscina está lotada. Eu não fui muito com a cara dele porque achei a água barrenta demais para o meu gosto. Mas a vista é bem bonita e um tanto curiosa: tem um buraco no meio da água!

Reservatório de Džban

Decidimos continuar a andar, subir, subir subir para ver a vista de lá de cima. E valeu a pena. Nem tivemos que andar muito e a recompensa foi desproporcional.

Vista de cima daquele rochedo

Olha lá o reservatório

Conseguimos alcançar o carneiros.

Decidindo para onde ir.

Ache os carneiros nesta paisagem.

Enquanto estávamos lá em cima conseguimos nos perder levemente e atrapalhar um ensaio sensual fotográfico. Como estávamos já ficando com bastante calor, continuamos na direção que achávamos que daria na piscina, já que já tínhamos cumprido a primeira missão no parque. Sem querer querendo, fomos parar em cima de outro rochedo e, surpresa, de lá de cima avistamos a tão desejada piscina.

Badá em cima do outro rochedo. Sabe o que ele está vendo?

A piscina!!!!!

A gente demorou cerca de  1 hora para descer de lá de cima e chegar na piscina. No caminho passamos por uma plantação de trigo, um campo com pinheiros e macieiras, cortamos um bosque, atravessamos um riacho, cruzamos uma outra parte do bosque e chegamos! Obviamente nós chegamos pelo caminho mais complicado mas como estávamos lá para conhecer a reserva natural mesmo, nem ligamos para a distância. Estávamos lá para aproveitar mesmo. O impressionante é que nem precisamos sair de Praga para ver isso tudo!

No caminho para a piscina tinham essas frutinhas. Alguém sabe dizer o que são?

Fomos numa hora muito boa, porque conseguimos aproveitar a piscina enquanto ainda não estava muito cheia, indo embora na hora que o povo começou a chegar. Esse definitivamente não é um passeio que os turistas costumam fazer. A entrada para a piscina é paga, 60 coroas tchecas por pessoa. Quem quiser pode alugar também um armário para guardar os pertences por um valor a mais.

Se a gente tinha achado que a vista lá de cima para a piscina era linda, lindo também é olhar os arredores de dentro da piscina. Nunca poderia imaginar que seria tão bonito! A minha vontade era de tirar foto de dentro da piscina para mostrar os arredores, mas fiquei com medo de qualquer acidente com a câmera. Se amanhã o dia for bom de novo, talvez volte lá…

Vista da lanchonete da piscina

A piscina!

Quem for no verão a Praga, tiver um tempinho sobrando e quiser se refrescar, vale a visita. A piscina fica aberta de Junho até Agosto, mas pode abrir em Setembro também se o clima permitir. A entrada na reserva é gratuita, precisando pagar mesmo só a entrada na piscina.

Como chegar em Divoká Šárka: da estação final Dejvická da linha verde pegar o ônibus 119 ou o bonde 26 até a parada Divoká Šárka. Não sei até quando permanecerá este esquema do transporte por conta das obras que estão sendo realizadas na cidade inteira. Até um mês atrás tinham umas duas opções diferentes de linhas de bonde.

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4 Respostas to “Divoká Šárka”

  1. rbp 21 de agosto de 2010 às 9:51 pm #

    Ultimo banho de piscina do ano, pode ser, mas no inverno sempre rola dar um pulinho no Vltava, neh? 🙂

  2. sarahkcp 21 de agosto de 2010 às 9:58 pm #

    Não sou tão corajosa. Já foi difícil aguentar a dor de frio dentro da piscina hoje!

    • rbp 21 de agosto de 2010 às 10:04 pm #

      Ueh, tava frio? O ponto todo nao era que tava quente? Voce devia pedir seu dinheiro de volta…

      • sarahkcp 21 de agosto de 2010 às 10:25 pm #

        A água estava fria, gelada, mas o dia estava quente, quente, quente!

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