Como não comer carne em Praga

29 jul

O Anthony Bourdain chamou Praga de “a terra que os vegetais esqueceram”. Na época, eu concordei (com a ressalva de que batata e repolho são vegetais…) Lendo agora nos Ducs em Amsterdam o post sobre a visita deles, em que o Daniduc conclui mais ou menos a mesma coisa, achei que devia fazer umas ressalvas. O suficiente, quem sabe, para um post? Sim!

Quando eles nos visitaram, de fato nós não saberíamos desafiar o conceito de que comer fora desviando-se de carnes, na República Tcheca, é no mínimo complicado. De fato, “salada” aqui freqüentemente vem com frango; o halušky, um prato típico eslovaco que à primeira vista no menu parece vegetariano, volta e meia vem com pedacinhos de bacon; e uma das únicas vezes em que eu comi um peixe, ele veio literalmente enrolado em bacon… sei que o peixe não conta, foi só pra ilustrar como às vezes, pela descrição, você acha que um prato não tem tal ingrediente, mas ele só está implícito. Aqui, é carne. Alguma carne.

Mas, com o tempo e uma certa prática, fomos achando umas exceções dignas de nota. Exemplos a seguir!

Restaurantes

(Obviamente, essas não são as únicas boas opções. Só são lugares dos quais podemos dar alguma opinião pessoal.)

Radost FX – é um restaurante em cima e um clube no subsolo. Ambos são meio que famosos e, como diria [EU apud Ducs em Amsterdam], “tem alguma importância histórica… acho… porque algo aconteceu aí em uma certa época, ou alguém tem alguma coisa a ver com o lugar… ou algo assim”. De qualquer forma: o lugar é legal (talvez um pouco esquisitão), nenhuma comida leva carne (e eu sei que é um alívio para vegetarianos não ter que caçar sua seção limitada no menu) e são todas deliciosas. Pelo menos as que eu experimentei, cortesia de um Mr. Fleming, que praticamente sentou-se e disse “Waitress! Traga os seus melhores 4 pratos, porque os meus 3 convidados vão assistir enquanto eu como!” Quem mandou não usar assistir do jeito certo? Rá. Piadinha gramatical aparte (sacou?), acabou que experimentamos bem uns 10 itens do cardápio, incluindo sobremesas, todos ótimos.

Ressalva: para o padrão tcheco, é caro. Mas se você está acostumado com os preços de, digamos, Amsterdam, talvez nem repare. Ah: e o Radost enche. Quando fomos, conseguimos mesa com a condição de sairmos em uma hora e meia, porque a nossa mesa na verdade estava reservada para mais tarde.

Bílá Vrána – é um pub/restaurante (a maioria dos lugares aqui são multifuncionais assim) bem fora da área turística, mas ainda assim é fácil de chegar e todo mundo (ou quase) lá fala inglês. O menu não é exclusivamente vegetariano, mas tem várias opções sem carne, e já experimentamos algumas bem boas, umas saladas bem elaboradas e batatas assadas com… sei lá, coisas. O preço não é aquela coisa de todo dia, mas não é absurdo: digamos, 200 CZK dá uma refeição bem farta.

Lehká Hlava – não sei nada sobre esse, porque não fui. Mas a Lissa diz que é muito bom. (E tomou guaraná lá!) Além disso, o lugar tem lareira (só eu acho isso legal?), uma decoração coloridaça com ambientes diferentes, estrelas no teto e por aí vai, e o nome significa algo como “Cabeça Leve”… Deve valer uma visita! Mas aqui é tão caro quanto o Radost ou mais.

Zelená Kuchyně – é um restaurante vegetariano com uns pratos bem interessantes, a maioria com algo de indiano ou de sudeste asiático em geral. Um turista provavelmente não vai cair aqui por acaso, porque é numa parte não-turística, entrando numa portinha e descendo as escadas. Eu e a Sarah fomos lá uma vez e gostamos bastante. Depois, a Sarah foi uma segunda vez e disse que já não foi tão bom. Apesar da inconstância, é talvez o mais barato da lista: um prato saía por umas 80-90 CZK. Se bem que talvez seja porque as duas vezes foram em horário de almoço…

O que isso tem a ver, você pergunta? É que aqui em Praga é muito comum os restaurantes oferecerem o tal do denní menu.

Viva o Denní Menu!

A grande maioria dos restaurantes de Praga servem esse menu diário entre 11h e 15h. Uma lista de uns 4 ou 5 pratos, geralmente, por um preço bem em conta. O esquema é basicamente: você pede algo que o cozinheiro já está preparando mesmo, e em troca de facilitar a vida dele, paga menos. Todos ficam felizes, menos louça pra lavar, você come logo e dá o lugar pra outro cliente. Vale a pena: um prato desses, com sopa de entrada, sai por ~90 CZK. E nem são PFs toscos, são pratos bem servidos.

Em vários lugares, uma das opções (geralmente a última da lista) vai ser sem nada de carne. Muitas vezes isso significa um prato com o qual os tchecos não têm muita familiaridade. Um espaguete, uma salada marromenos, algo assim. Mas, surpresa!, existem não zero, não um, mas pelo menos dois pratos típicos tchecos sem carne!

Um deles é o Smážený sýr, um tijolo de queijo frito ou empanado, usualmente acompanhado de batatas fritas. É quase tão onipresente quanto o guláš, vai ser fácil esbarrar em um desses em Praga. Mande seu cardiologista catar coquinhos e se esbalde porque véééi, é bom! Fico devendo fotos, porque a Wikipédia não tem uma e quanto a nós, bem, normalmente quando um desses chega na mesa eu fico com visão tunelar e esqueço do mundo até ser tarde demais.

Smažený sýr! Talvez esse não seja tcheco, porque o molho aqui é tártaro (acho).

Quanto ao segundo prato típico vegetariano… para falar a verdade, eu não sei se ele existe. Um dia desses um colega tcheco achou que seria legal rir da cara do forasteiro e me convenceu a escolher um troço que eu sabia, com meus conhecimentos limitados da língua, que só tinha dois ingredientes – e um era creme de baunilha. “É típico, você devia experimentar,” disse ele. Contra meu bom senso, experimentei: era um pratão cheio de uns quadradinhos de pão doce (tipo croutons, mas macios e doces) cobertos… não; banhados por creme de baunilha. Acho que só não comecei a ter delírios hiperglicêmicos ali mesmo porque não comi até o fim.

Enfim, achei que esse causo devia ser contado. Como um aviso.

Por último, em Praga existem vários restaurantes/bistrôs/quiosques asiáticos (principalmente vietnamitas, tailandeses e uma infinidade de bistrôs chineses genéricos), que como de costume sempre tem alguma coisa boa, bonita e vegetariana. Não que eu tenha algo notável a dizer sobre eles, só não queria deixar passar. Até porque nos bistrôs chineses, pelo menos, eu tive mais experiências boas sem carne do que com.

Sendo útil

Localizações no Google Maps:

Radost FXBílá VránaLehká HlavaZelená Kuchyně.

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16 Respostas to “Como não comer carne em Praga”

  1. rbp 29 de julho de 2010 às 4:37 pm #

    À parte, aparte: “à parte”.

    Aliás, desliguem esse “snapshot preview”, vai. É muito chato 😛

    • jvbernatel 29 de julho de 2010 às 4:57 pm #

      Eu deixei o “aparte” de isca, mesmo. Daí o “(sacou?)”. Sacou? Seria uma piadinha-bônus, se tivesse sido engraçada, mas acabou ficando só pra provocar o instinto revisor do(s) leitor(es).

      Já tínhamos desligado o snapshot preview, supostamente. Agora desligamos de novo. Supostamente.

      • rbp 29 de julho de 2010 às 5:02 pm #

        Saquei, e achei boa. Só usei de gancho pra minha. Seria uma piadinha-complementar-bônus, se tivesse sido engraçada, mas acabou ficando só pra provocar o instinto explicador de piadas do(s) autor(es).

        BTW: pra mim, como seria de se supôr, o snapshot preview continua aparecendo.

      • jvbernatel 29 de julho de 2010 às 5:15 pm #

        Pois é, fiquei na dúvida se você tinha sacado e resolvi explicar assim mesmo. Seria uma piadinha-complementar-bônus-didática-e-sem-graça, se tivesse sido engraçada, mas… é… peraí, não funcionou.

      • rbp 29 de julho de 2010 às 5:22 pm #

        Há! Boa!

    • sarahkcp 29 de julho de 2010 às 4:58 pm #

      HELLO.

      Esses snapshot previews estão doidos, DOIDOS!!
      Eu tinha desligado todos porque, pessoalmente, odeio-os.

      • Barbicha 30 de julho de 2010 às 2:23 am #

        Sarah! Saroca! Quanta saudade de você!!!!!

      • sarahkcp 30 de julho de 2010 às 2:10 pm #

        Barbicha! Saudade de você também!

  2. Marcella 2 de agosto de 2010 às 3:52 am #

    Amiga, adorei as dicas gastronômicas!

  3. Aline 5 de agosto de 2010 às 11:27 pm #

    Há, comecei oficialmente a ler o blog de vocês e está bem legal. Nada a declarar por enquanto, só gostei desse layout, bem descoladinho e divertida a etiqueta vermelhinha com a data.

    Se cuidem! Beijos…

  4. Lissa 7 de agosto de 2010 às 9:35 pm #

    HAHAAAAAA muito engraçado a parte do Radost!
    EU SONHO com o Radost, o restaurante foi muito bom!

    vc esqueceu de dizer que eles tem COCKTAILS!

    muito bom =)

    • jvbernatel 8 de agosto de 2010 às 11:44 am #

      Verdade! Como pude esquecer… Venham de novo, dessa vez a gente faz reserva!

  5. Sandra 3 de abril de 2012 às 9:25 pm #

    Eu estou começando a ler os seus posts com atenção e muita curiosidade, adorei o blog, parabéns mesmo!
    Estou me divertindo lendo sobre a comida em praga…. nunca imaginei ver um prato como esse que colocou aí na foto! é a comida que eu gosto mais salada + batata frita + e o queijo derretido parece ótimo.
    rsrs

    Meu marido trabalha numa multinacional aqui no rio de janeiro e foi indicado pelo chefe dele para ir para Praga então estou começando a ver algumas coisas para ir me familiarizando!

    abs cariocas

    Sandra

  6. ana maria 30 de outubro de 2012 às 1:33 pm #

    Gostei, vou anotar tudo para a próxima viagem! Continue postando!

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  1. Tweets that mention Como não comer carne em Praga « Minha Vida em Praga -- Topsy.com - 29 de julho de 2010

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