[Karlshtáin]
Descobrimos recentemente que a República Tcheca está completamente coberta de trilhas muito bem sinalizadas. Há pouco mais de 100 anos foi criado o clube de turismo tcheco (Klub Českych Turistů – KCT – página em tcheco, mas nada que um google translator não resolva!) que começou a marcar trilhas pela República Tcheca. Após a Segunda Guerra Mundial e o advento do comunismo no território, o KCT começou a marcar trilhas loucamente. Marcaram tantas trilhas que hoje é possível andar pelo país inteiro seguindo os sinais deixados, facilitado pelo fato de as propriedades rurais não serem cercadas. Dá pra andar em florestas, passar por castelos, cidades e vilarejos, rios, montanhas… As trilhas não são apenas bem sinalizadas, como também são muito bem mantidas, aparecendo ocasionalmente indicadores de distância e direção. É possível também fazer as trilhas de bicicleta (muitas das estações de trem possuem o bicicletário da própria ČD – cia de trens tcheca – que aluga bicicletas). Os mapas das trilhas, divididos em regiões tchecas, são encontrados em livrarias, tais como a Luxor, e em algumas lojas de equipamentos esportivos, como a Alpine Pro, e são bem baratos.
No domingo fomos convidados por nossos amigos para fazer uma das várias trilhas disponíveis perto de Praga. Fomos para um cidade chamada Beroun a 35km ao oeste de Praga e atravessamos uma floresta até outra cidade chamada Karlštejn, que tem um dos castelos mais conhecidos da República Tcheca, a 14 km de distância.
Saimos de casa bem cedo, às 6:40 da manhã para podermos aproveitar o dia bem. Encontramos Aryu e RD na estação ferroviária de Smichov, em Praga 5, onde pegamos um trem para Beroun. A previsão para o dia era de bastante sol, apesar de a temperatura ficar entre 8 e 16ºC. No trem, entretanto, ficamos um tanto apreensivos: tinha tanta neblina que não dava pra ver a paisagem. Como a trilha não era difícil nem passava por lugares perigosos (como cânions), decidimos não nos abalar. Após meia hora de viagem chegamos em Beroun às 8:10. A trilha começa na estação ferroviária então nem vimos a cidade. Passamos por um bairro periférico antes de entrarmos para floresta, que foi o que vimos basicamente o dia inteiro. As florestas daqui não são muito densas e possuem bastante luz durante o dia.
Encontramos gente pra dedéu no caminho. Não ficamos uma hora sem cruzar com outras pessoas, pois um dos grandes passatempos dos tchecos é ir andar na floresta, especialmente entre maio e outubro, que é a estação dos cogumelos. Aliás, esse era um passatempo que o governo comunista não aprovava, pois não tinha como fiscalizar o que as pessoas faziam lá dentro. Então, para impedir que muitas pessoas fossem às florestas, o governo investiu pesadamente em outro passatempo tcheco: beber cerveja. Facilitou a abertura de bares porque lá tinha como manter manter seus ouvidos ocupados.
Vimos tantos cogumelos de todos os jeitos e cores, mas não ousamos catar nenhum pra não correr o risco de catar o errado. Nossa ignorância foi uma pena, pois o tempo todo víamos pessoas com cestas de vime cheias de cogumelos catados. Aliás, os cogumelos foram um dos motivos que demoramos tanto para terminar a trilha. Foram 7 horas e 40 minutos para andar 14 km subindo e descendo morros porque parávamos o tempo todo para olhar os cogumelos. Aliás, acho que a falta de forma também contribuiu para a demora. Tinha subida demais! E muitas delas íngremes! Tal era a quantidade de subida que quando chegamos na metade do caminho ficamos um tanto decepcionados porque achávamos que já estaríamos perto do fim. Não era possível que depois daquele tempo todo andando cubrimos apenas 7 km.
A gente já não estava aguentando também a floresta. De vez em quando a trilha abria para um campo aberto e ensolarado, mas era só para provocar, porque logo entrava floresta adentro de novo. Queríamos clareiras para podermos ver longe e sol para nos aquecer. Quando faltava cerca de 2,5 km para o fim, topamos com uma clareira, um campo de trigo que havia sido recentemente colhido. Decidimos entrar no campo para ter uma noção dos arredores e, não é que dava pra ver o castelo de Karlštejn? Ficamos tão eufóricos com a vista que damos uma olhada no mapa para ver se dava para seguir até o castelo por meio do campo de trigo. Dava mais ou menos, então arriscamos e fomos. É claro que no meio do caminho parávamos para consultar o mapa para repensar a decisão e ficamos na dúvida porque depois do campo de trigo veio uma trilha um tanto fechada e depois uma descida bem íngreme que quase rolamos pra baixo, mas conseguimos sem problemas maiores achar o caminho para o castelo que, na verdade nos levou de volta à nossa trilha original. No final, o nosso atalho foi um pouco mais comprido que a trilha original, mas pelo menos tivemos a vista do campo de trigo com o castelo no fundo.
Depois desses perrengues todos foi um pouco triste ver que para conseguirmos chegar até o castelo precisariamos subir mais um morro para chegarmos nos portões do castelo. Tinha muita gente por todos os cantos. Quando chegamos no castelo decidimos fazer turismo outro dia, vimos apenas as partes que ficam abertas ao público sem ingresso e depois achamos um restaurante para repor as energias. Havíamos levado sanduíches, água e frutas para comermos durante a trilha, mas o intenso esforço físico combinado ao friozinho (que, na verdade estava perfeito para um dia de andanças, pois nem suamos muito) nos deixou bastante esfomeados. Depois de ver tantos cogumelos decidimos atacar um prato típico tcheco que nunca provei, cogumelos fritos, mas no restaurante que escolhemos os cogumelos do dia já haviam acabado. Como já estávamos sentados e levantar de novo seria doloroso, nos contentamos com uma sopa de alho que, honestamente, tava bem ruinzinha. Oh well, pelo menos deu para repor as energias. Depois de tudo isso, ainda tínhamos mais 2 km para andar até a estação de trem. Demos bastante sorte porque na hora que chegamos na estação faltavam apenas 3 minutos para o próximo trem pra Praga.
O que eu não me consolo foi que, depois de um dia de andanças como o que tivemos, com os pés e pernas doendo, ao chegarmos em casa descobrimos que estávamos sem água quente. Ligamos para o nosso senhorio pra ver se era um problema de fácil resolução, mas não era: o problema era com a distribuidora mas que, supostamente, às 20h seria resolvido. Como faltavam 20 minutos para as 20h, decidimos esperar. Mas o tempo passou e nada de água quente.
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Tags:república tcheca, viagens












Uau! que legal isso!
Fotos muito bonitas! Que lindo o campo de trigo.
bjo
Obrigada Lili! Foi bonito mesmo!
Vi o restante das fotos. É muito lindo esse lugar, especialmente nos detalhes. E se há tantas trilhas a percorrer, é urgente que vcs entrem em forma física! Espero estar aí em maio e desde já vou me preparar para encarar pelo menos umas trilhazinhas mais suaves…
Uh, que legal! Até lá a gente vai testando outras trilhas para quando você vier nós já sabermos as melhores.
Eu pensava q a republica tcheca era mais branca, mas é bonita do mermo jeito
Espero que não tenham experimentado nenhum cogumelo.
A República Tcheca é branca, mas só no inverno quando está debaixo da neve.
Digo daqueles que te levam a outra viagem na sua viagem.
Não ousamos experimentar nenhum sob o risco de pegar o errado e não poder experimentar nada nunca mais. Dramático, não?
Niceeeeee!!! Onde tem cogumelos…. tem gnomes!
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